França Antártica: quando a França tentou colonizar o Brasil (1555)

Antecedentes da presença francesa no Brasil colonial

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Corsário francês

O início da colonização portuguesa do Brasil foi em grande parte determinado pelo empenho da Coroa lusitana em acabar com as atividades dos aventureiros e corsários da Bretanha ou da Normandia, prejudiciais ao seu monopólio. Antecedendo tanto aos ingleses quanto aos holandeses em suas investidas sobre o nosso litoral, não se limitam os franceses, como os outros, à prática da pirataria e do contrabando. Em mais de uma ocasião, conseguem pôr pé firme na costa do Brasil, contando para isso com a fidelidade, que souberam captar, das tribos tupinambás, faltando pouco para se fixarem nelas definitivamente.  Durante anos, notou com precisão Capistrano de Abreu, ficou indeciso se o Brasil pertenceria a portugueses ou a franceses.

Na primeira metade do século XVI, é registrada frequentemente a presença de tais traficantes desde a boca do Amazonas até a costa catarinense. Os lugares mais procurados ficam, porém, entre as áreas abundantes em pau de tinta, que se alongam do Cabo de São Roque ao Rio Real. Na Paraíba chegam a infiltrar-se no meio dos Pitiguaras locais, mesclando-se a eles: fortalecidos com esse apoio, lograrão os índios, por longo tempo, desafiar os portugueses e seus aliados de Itamaracá e Pernambuco. Em Sergipe d’El-Rey igualmente, hão de prosseguir até fins do século as abordagens e acordos das naus francesas: só a expedição de Cristóvão de Barros colocará um desfecho à farta colheita que ali faziam do pau-brasil, algodão e pimenta da terra.

Os mais atrevidos levam suas incursões até as capitanias situadas ao sul da Bahia de Todos os Santos. Gaspar Gomes, morador em Ilhéus, vê-se bloqueado no Rio de Janeiro, em 1551, durante dois meses e meio, por uma nau de de franceses, que só sairá depois de carregar tranquilamente cerca de sessenta moios (medida da época) de pimenta e alguns toros de pau-brasil. Escrevendo quatro mais tarde ao rei, Francisco de Porto Carrero, o sucessor de Pero de Góis na capitania-mor da costa, dá conta dos aprisionamentos que faziam os franceses no Brasil, de como tomavam o melhor e agiam impunemente e sem dissimulação. Ainda quando deixassem de construir feitorias permanentes, à maneira dos portugueses, preferindo negociar diretamente com os índios, nem por isso era pequena a ameaça por eles representada.

Contudo, a fundação de estabelecimentos fixos deveria, no correr do tempo, representar uma consequência natural por causa daquelas atividades. No Cabo Frio, onde as matas de pau-brasil não são menos notáveis do que no Nordeste, e onde, por volta de 1548, constava que vinham a coletar sete ou oito naus francesas cada ano, tentariam construir um fortim, que todavia não estava destinado a durar muito.

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