Os Benefícios da Política de D. João VI para Minas Gerais

História do Brasil – Os Benefícios da Política de D. João VI para Minas Gerais (vulgo a capitania mais importante do Brasil)

Cuidado com o que seu professor de História diz sobre D. João VI, pois você pode criar uma imagem muito pior do que a que parece. De certo esse rei português era uma figura controversa, devido ao fato de ter vivido uma época tão turbulenta que eram as Guerras Napoleônicas. Poucos conhecem suas medidas políticas em relação ao Brasil. Algumas foram ruins e outras foram ótimas. Lhes mostrarei a parte boa da história deste homem que de bobo não tinha nada.

Se tudo que a Corte fez de positivo ao Brasil ainda é pouco, fica pelo menos o mérito da iniciativa que recomenda as autoridades.

1° – Cuidados especiais: Mineração

* Estradas são permitidas para o norte e para leste, quando antes eram impedidas para evitar o descaminho do ouro;
* Permite-se a vinda do estrangeiro, e comerciantes, cientistas, aventureiros ou simples curiosos abalam-se para o estudo, a visita ou o negócio;
* Instalam-se fábricas;
* A mineração conta com auxílio da ciência para aprimoramento da técnica, ao mesmo tempo que se organizam as empresas, de modo a substituir a atividade individual ou esporádica.

Enfim, a política se torna mais liberal, por imposição das circunstâncias que levam D. João a abertura dos portos e à liberação da indústria. O isolamento a que se condenava o Brasil tem de ser rompido, pois é a própria Coroa que aqui se instala.
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2° – O Ferro

• Novos impulsos à exploração e lucro da mina

Seria insensato se mantivesse a ilusão do século anterior, pois, como afirmaria em 1843 o Presidente Francisco José de Sousa Soares de Andreia, “o título de Minas Gerais é mais bem cabido pela generalidade dos minerais que pela generalidade das minas de ouro”. O primeiro impulso significativo para a exploração do ferro em Minas se fará na fase em que a Corte se transfere para o Brasil.

• Motivo da despreocupação do ferro na época colonial

No afã da exploração das terras mineiras no século XIII, preocupados com o ouro, autoridades e curiosos não cuidam do ferro: é chocante o silêncio que se observa na correspondência ou nos relatos de administradores a esse propósito, quando as jazidas estavam frequentemente na área do ouro.

• A construção de uma fábrica de ferro

Já em 1780 escrevendo sobre o estado de decadência da Capitania, o lúcido Governador Rodrigo José de Meneses propõe o estabelecimento de uma fábrica de ferro, “convencido da grande utilidade que resultará tanto à Real Fazenda como à mineração”. O governador assinala a necessidade do metal, pelos prejuízos que causa a sua falta às demais atividades, bem como pelo preço excessivamente alto pela importação.

Para evitar a dependência a nações que podem envolver-se em guerras, era preciso instalar a siderurgia em Minas. Contrariando o alvará de 1785, é abolido em 1795 o imposto sobre o ferro e concedida liberdade para o estabelecimento de fábricas.

• Determinação da vinda de estrangeiros

Em 1808, o Ministro D. Rodrigo de Sousa Coutinho, futuro Conde de Linhares determina a vinda de Portugal de oficiais que se houvessem distinguido nas “escolas teóricas e práticas de Freiberg”, autorizando ainda a busca no norte da Europa de mestres para o ofício. Entre os estrangeiros convocados, iria destacar-se o Barão Guilherme Von Eschwege, enviado para Minas em 1811.

Essas iniciativas valem sobretudo pelo pioneirismo, pela capacidade de organização dos serviços e pela nova técnica que imprimem aos trabalhos. Não chegaram a produção de vulto, mas valem como lições, que serão aproveitadas na multiplicidade de fornos que se encontram em vários pontos de Minas, notadamente na Comarca do Serro. Ainda no período de D. João, deve ser destaca a vinda para Minas, em 1817, de Monlevade, que exerceu importante e duradouro serviço. O engenheiro francês veio bem recomendado pela administração central ao governador de Minas.
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3° – O Ouro

• Processos usados para explorar ouro

“Talho aberto” – Abrindo-se o solo em busca dos veios ou do cascalho; poucos ousavam seguir os veios com escavações subterrâneas, e, quando o faziam, por imperícia ou imprudência, punham em jogo a própria vida dos trabalhadores, com a invasão das galerias pelas águas, a falta de ventilação ou desabamento. Os processos eram primários, tosco material usado.

• O problema da falta de conhecimento
Trabalhava-se em larga escala, mas com pouco resultado, pela falta de conhecimentos.

• A iniciativa de Eschwege

Não sendo ouvido pelos mineiros em suas sugestões, cuidou Eschwege de demonstrar com a prática a superioridade de seus métodos. É de sua iniciativa a primeira empresa: a Sociedade Mineralógica em 1819. Ele teve que vencer muitos obstáculos: os mineiros não se associavam, não atendiam às suas propostas; escrevendo ao rei, em janeiro de 1819, diz que “com um grande trabalho (conseguiu) ajuntar trinta acionistas, todos habitantes do Rio de Janeiro, e assim formar a primeira sociedade nesta capital”. Atribui o fato a intrigas e a desconfianças permanentes de tudo e de todos, o mineiro temeroso sempre de ser roubado.
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4°- O Diamante

Desde 1815 o trabalho de extração já é mais econômico com o emprego de ferro produzido na fábrica de Morro do Pilar. Câmara (ministro) providenciou ainda o barateamento da extração com o fabrico de pólvora, que lhe pareceu possível com o encontro de nitreiras nas proximidades do Tejuco. O contrabando, entretanto, de tal modo se generalizara que a produção ia caindo.

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