A imigração no Brasil Colonial

Antes de se desenvolver no Brasil uma fonte de riqueza como o açúcar, por exemplo, ou, bem mais tarde, como a mineração, era inútil tentar atrair uma imigração espontânea volumosa. Por ora, enquanto a terra era pobre, vinha a gente do serviço do rei, que frequentemente não passava muito tempo na terra, e além disso viriam degredados e aventureiros, que, na busca de riquezas fáceis e imaginárias, quase não se importavam dos riscos ou das perdas. Em regra partiam sós, como quem vai para a guerra, deixando, quando os tinham, mulheres e filhos. No próprio aproveitamento do solo agirão sem prudência ou moderação, movidos antes por um ânimo predatório do que por uma energia resolutamente produtiva. E se conseguem reunir alguma riqueza, comportam-se então como barões feudais, gastando quanto podem, e mais do que podem.

Desse tipo é, talvez, a maioria dos colonos que de Portugal nos chegaram nos primeiros tempos. Mesmo os mais miseráveis logo esquecem suas origens humildes e tratam de glorificar fidalguias. É possível que, para a conquista do território, esses homens, mais ousados do que cautelosos, sejam, em verdade, os melhor indicados. Em terra tropical e cheia de imprevistos problemas, ainda não há, talvez, lugar para o trabalho persistente e paciente de muito lavrador europeu.

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