A imigração no Brasil Colonial

Antes de se desenvolver no Brasil uma fonte de riqueza como o açúcar, por exemplo, ou, bem mais tarde, como a mineração, era inútil tentar atrair uma imigração espontânea volumosa. Por ora, enquanto a terra era pobre, vinha a gente do serviço do rei, que frequentemente não passava muito tempo na terra, e além disso viriam degredados e aventureiros, que, na busca de riquezas fáceis e imaginárias, quase não se importavam dos riscos ou das perdas. Em regra partiam sós, como quem vai para a guerra, deixando, quando os tinham, mulheres e filhos. No próprio aproveitamento do solo agirão sem prudência ou moderação, movidos antes por um ânimo predatório do que por uma energia resolutamente produtiva. E se conseguem reunir alguma riqueza, comportam-se então como barões feudais, gastando quanto podem, e mais do que podem.

Desse tipo é, talvez, a maioria dos colonos que de Portugal nos chegaram nos primeiros tempos. Mesmo os mais miseráveis logo esquecem suas origens humildes e tratam de glorificar fidalguias. É possível que, para a conquista do território, esses homens, mais ousados do que cautelosos, sejam, em verdade, os melhor indicados. Em terra tropical e cheia de imprevistos problemas, ainda não há, talvez, lugar para o trabalho persistente e paciente de muito lavrador europeu.

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O problema da falta de mulheres nos primórdios da colonização do Brasil

 

A assiduidade e intimidade desses contatos entre os europeus e os gentios da terra, particularmente as mulheres dos gentios, tinham sérios inconvenientes, sobretudo considerados do ponto de vista da moral cristã. Se outros eclesiásticos fechavam os olhos ao perigo que assim se expunham colonos e índios, e não raro se acumpliciavam com os pecadores, confirmando-os em seu erro, os jesuítas, entretanto, foram desde o primeiro momento intransigentes nesse ponto. 

O problema era, porém, de difícil solução. A Coroa portuguesa, de um modo geral, mostrava-se desaforável ao embarque de mulheres nas frotas que se  destinavam ao ultramar, e não é provável que elas tivessem vindo em número apreciável na armada de Tomé de Sousa. De uma, ao menos, consta que chegou a ser motivo de discórdia. E não faltou quem pedisse ao governador certa escrava que este trouxera – talvez escrava moura – dizendo que a queria alforriar. O resultado é que veio logo a prevalecer aqui, como na generalidade das colônias portuguesas, o costume de amancebarem-se logo os estrangeiros com mulheres indígenas, por vezes, com mais de uma. Já em 1549, o ano da chegada da frota, queixa-se o Padre Manuel da Nóbrega desse hábito e, ainda mais, do fato de largarem os homens a essas suas mulheres sempre que lhes agradassem, no que não se mostravam diferentes ou melhores do que os pagãos. 

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After Action Report – Medieval 2: Total War – Escócia (Hard/VeryHard) – Parte 3

Filho de Edmund Canmore destroi a Dinamarca e começa guerra com a Polônia

(1196 – 1226)

Edmund Canmore fez os gostos de seu pai quando muito tempo atrás conseguiu conquistar todas as regiões de outros povos nas ilhas britânicas, exceto os ingleses, pois estes ficaram a cabo do rei Edward e príncipe David. Edmund poderia ter sido a pessoa a destruir a Inglaterra, mas como naquela época o conflito ainda era incerto era preferível que ele fosse conquistar outras terras, e assim foi feito.

Como é sabido o mesmo resolveu se aventurar nas terras dos vikings noruegueses e dinamarqueses. Ao conquistar Oslo, ele conquistara a cidade de Arhus e Hamburg. Foi nessas aventuras que o seu filho Allan Canmore nascera. Seu pai sempre fora um homem mais político do que de guerra, apesar de todo o seu histórico, pois Edmund passara grande parte do seu tempo governando Oslo.

Os dinamarqueses cercaram o castelo de Hamburg e qualquer um poderia dizer que seria o seu fim e da sua família, mas não foi. Todos os ataques ao castelo foram repelidos. Foi nessa confusão que cresceu o jovem Allan, que aprendeu muito com o seu pai.

Investido de muitas tropas, Edmund confia ao seu filho que ataque o último reduto dinamarquês. Allan já nascera em uma época totalmente vantajosa, dada que as tropas são de elite. Soldados munidos de excelentes armaduras, arqueiros highlanders altamente treinados e cavaleiros templários. Tudo estava seu favor.

Após a destruição da Dinamarca, um novo conflito começou. Allan foi o responsável pelo ataque. A Polônia é aliada dos traidores franceses, mas isso ficará para outro capítulo.

Imagens:  http://imgur.com/a/AI5Mn http://imgur.com/a/Lb6W2

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After Action Report – Medieval 2: Total War – Escócia (Hard/VeryHard) – Parte 2

1. Adeus, Inglaterra. (1152 – 1182)

1.1 O primeiro ataque a Caen (1160)

O Príncipe David fez um grande trabalho em expulsar os ingleses das ilhas britânicas. Merece os créditos também o seu irmão Edward, que é o rei. Os ingleses não tinham mais nenhuma fonte de renda, pois seu único e último reduto era um castelo na Normandia, Caen. Lá estavam abarrotados o príncipe, o rei e um general de uma família nobre qualquer. Um quadro lamentável.

David sabendo disso levou todas as tropas de Nottingham para Londres e de lá foi de barco para a costa de Caen. O que lá se encontrava era um exército guardando a parte de fora e mais um tanto a parte de dentro. Seria benéfico, na primeira oportunidade, se David tivesse tido tempo de guerrear com os dois exércitos do lado de fora, pois era para isso que o seu contingente estava constituído. Leia mais »

O que dizia o Regimento colonial do qual trazia Thomé de Sousa ao Brasil em 1549?

Constituição 1548
Primeira página do regimento

Nomeação e objetivo do Regimento:

“Eu, El Rei, faço saber a vós, Tomé de Sousa, fidalgo de minha casa, que vendo eu quanto serviço de Deus e meu é conservar e enobrecer as Capitanias e povoações das terras do Brasil e dar ordem e maneira com que melhor e mais seguramente se possam ir povoando, para exalçamento da nossa Santa Fé e proveito de meus Reinos e Senhorios, e dos naturais deles, ordenei ora de mandar nas ditas terras fazer uma fortaleza e povoação grande e forte, em um lugar conveniente, para daí se dar favor e ajuda às outras povoações e se ministrar justiça e prover nas cousas que cumprirem a meu serviço e aos negócios de minha Fazenda e a bem das partes; e por ser informado que a Bahia de todos os Santos é o lugar mais conveniente da costa do Brasil para se poder fazer a dita povoação e assento, assim pela disposição do porto e rios que nela entram, como pela bondade,abastança e saúde da terra, e por outros respeitos, hei por meu serviço que na dita Bahia se faça a dita povoação e assento, e para isso vá uma armada com gente, artilharia, armas e munições e todo o mais que for necessário. E pela muita confiança que tenho em vós, que em caso de tal qualidade e de tanta importância me sabereis servir com aquela fidelidade e diligência, que se para isso requer, hei por bem de vos enviar por Governador às ditas terras do Brasil, no qual cargo e assim no fazer da dita fortaleza tereis a maneira seguinte, da qual fortaleza e terra da Bahia vós haveis de ser Capitão:”

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After Action Report – Medieval 2: Total War – Escócia (Hard/VeryHard) – Parte 1

– Prólogo –

William, o Conquistador, pode ter reivindicação indiscutível sobre o Reino da Inglaterra, mas ele ainda tem que lidar com os Lordes Celtas da Escócia, pois chamou a si mesmo de monarca das Ilhas Britânicas. Na verdade, Malcolm III, o Rei governante da Escócia já fez várias incursões no norte da Inglaterra desde que os normandos chegaram, continuando um legado de conflito entre Celtas e linhagens continentais que já existem há mais de um milênio.

A Escócia pode ter um histórico orgulhoso de desafiar poderes muito maiores ao sul da fronteira, incluindo o poderoso Império Romano, mas alguns dos estudiosos mais brilhantes da nação das terras altas estão agora pregando cautela, para Canmore. Os britânicos já não são um conjunto distante de ilhas no limite da civilização, e continuar a pensar que essa posição é verdadeiramente segura seria mentir para si mesmo. A chegada dos normandos, com a sua cavalaria pesada é a prova de que as potências continentais são agora capazes de chegar com vigor através do mar, e que a guerra em si está para evoluir. Nenhum dos golpes de Canmore em Northumbria, até agora, foram decisivos, e talvez isso não é algo que a Escócia deva fazer sozinha.

Atualmente, os franceses parecem ser os aliados mais lógicos da Escócia. A raiva entre a monarquia francesa e os normandos só tem crescido com o comportamento expansionista de William, e Philip seria louco para não querer dividir a atenção da Inglaterra em duas frentes.

Claro, até que os escoceses possam garantir um poderoso aliado ou trazer as suas forças armadas até os padrões das grandes potências europeias, pode valer a pena para Malcolm III simplesmente engolir o orgulho e evitar entrar em qualquer novo conflito com os ingleses ou que Deus os livre, contemplar uma aliança.

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Reino de Portugal e a deficiência em suprir as colônias longínquas com materiais de construção

É sabido que a fundação de cidades constituiu, em todos os tempos, o meio específico de criação de instrumentos locais de domínio, principalmente se em lugares muito longe da metrópole. E Portugal não fugiu à regra, ao menos durante a fase mais ativa de sua expansão ultramarina.

Referem as crônicas de Rui de Pina e Garcia de Rezende, como dispondo-se a fundar na Mina, em 1481,  o castelo e cidade de São Jorge, o rei D. João II mandara que, além de quinhentos homens para defesa e serviço da fortaleza, fossem nada menos do que uma centena de pedreiros e carpinteiros. Outro tanto se fará mais tarde na Graciosa, que definhou por ser lugar exposto a pestilência e assalto dos mouros de Marrocos.

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A instituição do Governo Geral no Brasil Colonial (1549)

Não é talvez por acaso que a intervenção mais direta da Coroa portuguesa na recém descoberta terra brasilis ocorre numa época de retirada de sua política ultramarina em outras áreas. Aqui vão alguns exemplos:

  • Perda de Santa Cruz do Cabo de Gué (1541)
  • Abandono de Safim (1541)
  • Evacuação de Alcácer Ceguer e Arzila (1549)

É no mesmo ano de 1549 que data a nomeação do primeiro governador-geral do Brasil.

Os reis portugueses detinham uma grande atração pela África, mais do que pela própria Índia. Os sucessivos desastres militares não foram suficientes para que os monarcas lusitanos perdessem o ânimo nas suas conquistas africanas. A possibilidade de poder recuperar fôlego através da exploração de lugares menos defensivos parecia bastante confortável para suprir tais perdas. O exemplo de Pizarro, no Peru, em sua grande investida contra os índios mostrava ao colonizadores quão vulnerável e fácil poderia ser a conquista daquelas terras face os problemas em outros continentes. Não eram estranhas as notícias mostrando o quão proveitosa estava sendo essa aventura para Castela.

A verdade é que em 1545 se descobrira a veia rica de Potosi, e um triênio mais tarde, o tempo necessário para se confirmar as notícias de sua fabulosa riqueza, já se elaborava em Portugal o Regimento por onde se haveria de guiar o primeiro governador-geral do Brasil.

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O Código de 1650 – A “soberana” Colônia de Connecticut

Para entendermos como a criação desse conjunto de leis foi possível em um contexto colonialista da Nova Inglaterra, temos que saber brevemente como se deu a colonização inglesa. Quase todo o litoral da América do Norte se tornou possessão inglesa por volta do fim do século XVI. Em certos casos, o rei submetia uma porção do novo mundo a
um governador de sua escolha, encarregado de administrar o país em seu nome e sob suas ordens imediatas (que foi o caso de Nova Iorque). É o sistema colonial adotado no resto da Europa. Outras vezes, ele concedia a um homem ou a uma companhia a propriedade de certas porções de terra (Maryland, as Carolinas, Pensilvânia, New Jersey estavam
nesse caso). Todos os poderes civis e políticos encontravam-se então concentrados nas mãos de um ou vários indivíduos que, sob a inspeção e o controle da coroa, vendiam as terras e governavam os habitantes.

Um terceiro sistema enfim consistia em dar a certo número de emigrantes
o direito de se constituírem em sociedade política, sob o patrocínio da mãe-pátria, e de se governarem eles próprios em tudo o que não era contrário às leis desta. Esse modo de colonização, tão favorável à liberdade, só foi posto em prática na Nova Inglaterra.

Já em 1628, uma carta dessa natureza foi concedida por Carlos I aos emigrantes que vieram a fundar a colônia de Massachusetts. Mas, em geral, só se outorgaram cartas às colônias da Nova Inglaterra muito tempo depois de sua existência ter se tornado um fato consumado. Plymouth, Providence, New Haven, o Estado de Connecticut e o de Rhode Island foram fundados sem o concurso e, de certa forma, sem o conhecimento da mãe-pátria. Os novos habitantes, sem negar a supremacia da metrópole, não foram buscar no seio desta a
fonte dos poderes; eles mesmos se constituíram, e somente trinta ou quarenta anos depois, sob Carlos II, é que uma carta régia veio legalizar sua existência.

Não é raro ver a cada instante dar, essas pessoas, mostras de soberania; eles nomeavam seus magistrados, faziam a paz e a guerra, estabeleciam regulamentos de polícia, proporciovam-se leis como se só dependessem de Deus. Os habitantes de Massachusetts, no estabelecimento das leis criminais e civis dos processos e tribunais, haviam se afastado
dos usos seguidos na Inglaterra; em 1650, o nome do rei ainda não aparecia encabeçando os mandados judiciários.

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