Tocqueville: a diferença entre um presidente republicano e um rei constitucional

O livro Democracia na América, no capítulo VIII demonstra quais as diferenças entre um presidente republicano nos Estados Unidos e um rei constitucional da França. Lembrando que esse livro foi publicado em 1835.

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George Washington e Luís Filipe I

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O Código de 1650 – A “soberana” Colônia de Connecticut

Para entendermos como a criação desse conjunto de leis foi possível em um contexto colonialista da Nova Inglaterra, temos que saber brevemente como se deu a colonização inglesa. Quase todo o litoral da América do Norte se tornou possessão inglesa por volta do fim do século XVI. Em certos casos, o rei submetia uma porção do novo mundo a
um governador de sua escolha, encarregado de administrar o país em seu nome e sob suas ordens imediatas (que foi o caso de Nova Iorque). É o sistema colonial adotado no resto da Europa. Outras vezes, ele concedia a um homem ou a uma companhia a propriedade de certas porções de terra (Maryland, as Carolinas, Pensilvânia, New Jersey estavam
nesse caso). Todos os poderes civis e políticos encontravam-se então concentrados nas mãos de um ou vários indivíduos que, sob a inspeção e o controle da coroa, vendiam as terras e governavam os habitantes.

Um terceiro sistema enfim consistia em dar a certo número de emigrantes
o direito de se constituírem em sociedade política, sob o patrocínio da mãe-pátria, e de se governarem eles próprios em tudo o que não era contrário às leis desta. Esse modo de colonização, tão favorável à liberdade, só foi posto em prática na Nova Inglaterra.

Já em 1628, uma carta dessa natureza foi concedida por Carlos I aos emigrantes que vieram a fundar a colônia de Massachusetts. Mas, em geral, só se outorgaram cartas às colônias da Nova Inglaterra muito tempo depois de sua existência ter se tornado um fato consumado. Plymouth, Providence, New Haven, o Estado de Connecticut e o de Rhode Island foram fundados sem o concurso e, de certa forma, sem o conhecimento da mãe-pátria. Os novos habitantes, sem negar a supremacia da metrópole, não foram buscar no seio desta a
fonte dos poderes; eles mesmos se constituíram, e somente trinta ou quarenta anos depois, sob Carlos II, é que uma carta régia veio legalizar sua existência.

Não é raro ver a cada instante dar, essas pessoas, mostras de soberania; eles nomeavam seus magistrados, faziam a paz e a guerra, estabeleciam regulamentos de polícia, proporciovam-se leis como se só dependessem de Deus. Os habitantes de Massachusetts, no estabelecimento das leis criminais e civis dos processos e tribunais, haviam se afastado
dos usos seguidos na Inglaterra; em 1650, o nome do rei ainda não aparecia encabeçando os mandados judiciários.

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Quando os Otomanos invadiram a Itália (1480-1481)

Em 1480, durante a batalha de Otranto, tropas otomanas decapitaram 800 cristãos por se recusarem a se converter ao islamismo; que mais tarde foram canonizados pela Igreja.

O ataque em Otranto foi parte de uma ação planejada Otomana, ainda que falha, o que tem sido descrito como a “Invasão da Itália.” Em agosto, 70 navios da frota atacaram Vieste.

Monastero di San Nicholas di Casole

Em 12 de setembro, o Monastero di San Nicholas di Casole, que acomodava uma das bibliotecas mais ricas da Europa, foi destruída.

Em outubro de 1480, as cidades costeiras de Lecce, Taranto e Brindisi foram atacadas.

Em 28 de Julho, de 1480, uma frota de 128 navios Otomanos, dos quais 28 eram galés chegaram perto da cidade napolitana de Otranto na região da Apulia.

A cidade foi sitiada a partir de 1º de maio de 1481. Em 11 de agosto, depois de um cerco de 15 dias, Gedik Ahmed ordenou o assalto final, que rompeu as defesas e capturaram a cidadela. Quando as paredes foram violadas os otomanos começaram a lutar através da cidade. Ao chegar à catedral “eles encontraram o arcebispo Stefano Agricolo, totalmente investido de crucifixo na mão” que os aguardara com o conde Francesco Largo e Bispo Stefano Pendinelli. “O arcebispo foi decapitado diante do altar, seus companheiros foram serrados ao meio, e os seus sacerdotes que acompanham foram todos assassinados.”

Depois de profanar a Catedral, os otomanos reuniram as mulheres e as crianças mais velhas para serem vendidos como escravo na Albânia. De acordo com alguns relatos históricos, um total de 12.000 foram mortos e 5.000 escravizados, incluindo as vítimas a partir dos territórios da península Salentina ao redor da cidade.

Oitocentos homens válidos (fisicamente) foram orientados a se converter ao Islã ou serem mortos. Um alfaiate chamado Antonio Primaldi disse ter proclamado “Agora é hora de lutar para salvar nossas almas para o Senhor. E desde que ele morreu na cruz por nós, é apropriado que nós devemos morrer por ele.” Aqueles que com ele estavam deram altos gritos de alegria. Em 12 de agosto eles foram levados para a Colina de Minerva (rebatizada mais tarde de Colina dos Mártires). Lá foi que se deu a decapitação, sendo Primaldi o primeiro.

Esta versão tem sido objeto de algumas críticas por estudiosos muçulmanos. Do lado Otomano é contestado que as execuções em larga escala tiveram lugar; os ossos que podem ser encontrados na Catedral de Otranto são reivindicados a serem, na verdade, de combatentes mortos durante a invasão otomana (mas pesquisas recentes descobriram que alguns ossos eram de mulheres e crianças).

Enquanto isso, em 3 de maio o sultão do Império Otomano, Maomé II, morreu, devida a consequente brigas por sua sucessão. Isto possivelmente impediu o envio de reforços otomanos para Otranto. Então, ao final da ocupação turca de Otranto, terminou por meio de negociação com as forças cristãs, permitindo que os turcos se retirassem para a Albânia.

Maomé II 

Desde que foi apenas 27 anos após a queda de Constantinopla, houve alguns que temiam que Roma sofresse o mesmo destino. Foram feitos planos para o Papa e os cidadãos de Roma evacuar a cidade. Papa Sisto IV repetiu seu apelo em 1471 a uma cruzada. Várias cidades-estado italianas, Hungria e França responderam positivamente a esta. A República de Veneza não o fez, pois eles tinham assinado um tratado de paz caro com os otomanos em 1479. Em 1481 um exército foi levantado pelo rei Fernando I de Nápoles a ser liderado pelo seu filho Afonso II de Nápoles. Um contingente de tropas foi fornecido pelo rei Matthias Corvinus da Hungria.

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*Imagem abaixo: Em agosto de 1480, o clero e os sobreviventes do cerco otomano de Otranto refugiaram-se na catedral. A força Otomana finalmente adentrara a catedral e matou quem estava dentro, transformando a igreja em um estábulo ou uma mesquita e destruindo seus afrescos do século 13. Depois de Otranto ter sido retomada em 1481 por uma força sob Alfonso V de Aragão, o local foi transformado novamente em uma igreja e lentamente reconstruído para abrigar as relíquias dos Mártires de Otranto, que tinham sido executados após o cerco de 1480. No corredor sul é a Capela dos Mártires, construída por ordem de Fernando I de Nápoles e reconstruída com dinheiro público em 1711. Este abriga as relíquias dos mártires em sete grandes caixões. Atrás do altar da capela é a “pedra do martírio”, tradicionalmente considerada ter sido utilizada para decapitar os mártires.

Otranto


 

* Algumas frases foram omitidas devido os termos serem arquitetônicos e eu não saber a tradução técnica para eles.
Texto traduzido de: http://www.counter-currents.com/2014/08/the-battle-of-otranto/