“Abaixo a Monarquia e viva a República” por Padre João Manuel (18/08/1889)

CARVALHO, Pe. João Manoel de – Nasceu em Natal, a 26.12.1841, filho do Capitão João Manoel de Carvalho e d. Quitéria de Moura Carvalho. Ordenou-se em 1865 pelo Seminário do Maranhão. Três anos depois foi nomeado Diretor-Geral da Instrução Pública do Rio Grande do Norte. Eleito deputado provincial nos biênios 1867-1868, 1870-1871 e 1876-1877, e deputado geral para 22ª legislatura (1886-1889). Foi colaborador dos jornais “O Conservador” (Rio de Janeiro), o “Correio Mercantil” e “A Nação”, além de ter fundado, em São Paulo, o “Correio do Povo” e o “Correio Amparaense”. No Rio, foi Vigário da Igreja da Candelária; em São Paulo, da Paróquia de Amparo. Como jornalista partidário, assinala Tavares de Lira, João Manoel era impetuoso, vibrante e, não raro, agressivo (História do Rio Grande do Norte, p. 328). Ele próprio reconhecia esse seu lado temperamental, levando-o certa vez a considerar que (…) a paixão partidária obceca os espíritos, desvirtualiza os sentimentos, embrutece os corações, embota as consciências e arrasta a todos os excessos (op. cit., p. 329). O Padre João Manoel faleceu no Rio de Janeiro, a 30 de maio de 1899.


PADRE JOÃO MANUEL DE CARVALHO JÚNIOR DISCURSO QUE DISSOLVEU A CÂMARA, SENDO MARCADAS ELEIÇÕES PARA 31.08.1889 “ABAIXO A MONARQUIA E VIVA A REPÚBLICA!” (11.06.1889)

Tudo está indicando, evidentemente, que este País, fadado por Deus aos mais gloriosos destinos, em breve passará por transformações profundas e radicais e que as velhas instituições que nos tem humilhado, tendem a desaparecer deste solo abençoado onde não puderam consolidar-se, nem produzir frutos benéficos. Tudo é confusão e anarquia; confusão na ordem social; anarquia, na ordem política. Mas, tenho fé em Deus que, deste caos medonho em que se debatem, inanes, e se estorcem, agonizantes, os restos de uma Monarquia moribunda, há de surgir a luz, essa luz suave e esplêndida da liberdade e da democracia que há de incendiar todas as inteligências, iluminar todos os espíritos e inflamar todos os corações, caindo no seio da Pátria, como gotas de orvalho divino, vivificando-a, como vivificam as flores os raios benéficos de um sol de estio. O nobre Presidente do Conselho, o Primeiro Ministro, sente-se satisfeito, por ver a sua ambição realizada. S. Excia. apresenta-se ao Parlamento muito lampeiro, muito ancho e cheio de si, radiante de júbilo e de felicidade, supondo-se, sem dúvida, um triunfador. Como se engana S. Excia.! Sua vitória é uma verdadeira vitória de Pirro. S. Excia. preparou, a seu jeito, uma escada para subir, mas, por esses mesmos degraus escorregadios, há de rolar, caindo, na Praça Pública, execrado e coberto de maldições, porque nutre e afaga o pensamento sinistro de atentar contra as liberdades públicas e a soberania nacional. O nobre Ministro do Império não é uma carranca, é simplesmente uma carêta. Não nos iludamos, a República esta feita. Só lhe falta a consagração nacional. Ela existe de fato, em todos os espíritos e em todos os corações brasileiros. Não tardará muito que, neste vastíssimo território, no meio das instituições que se desmoronam, se faça ouvir uma voz nascida do coração do povo brasileiro, repercutindo em todos os ângulos deste grande País, penetrando mesmo no seio das florestas virgens, bradando, enérgica, patriótica e unanimemente: ABAIXO A MONARQUIA E VIVA A REPÚBLICA.!


Fonte: http://adcon.rn.gov.br/ACERVO/secretaria_extraordinaria_de_cultura/DOC/DOC000000000112420.PDF

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