Ingleses e seus interesses no Brasil colonial (1530 – 1595)

Giovanni Caboto

A partir de 1497, data da primeira viagem de João Caboto a serviço de Henrique VII, começaram os ingleses a interessar-se pela navegação no Oceano Atlântico, cujas águas serão aos poucos navegadas por eles em toda a sua extensão. Primeiro, e durante alguns anos, apenas atraíram-lhes as regiões norte; depois, penetraram também nas águas situadas ao sul do equador. Justamente, a primeira viagem conhecida de ingleses ao Brasil, em 1530, marca a entrada de comerciantes e navegadores da Inglaterra no Atlântico Sul: um comércio regular estabeleceu-se com as regiões da África Ocidental e do Nordeste do Brasil, o que assinala uma etapa da expansão inglesa nos limites atlânticos. Posteriormente, na segunda metade do século XVI, quando os ingleses atingiram o sul do Atlântico, as relações com o Brasil foram um dos aspectos dessa nova expansão. Desse modo, podemos relacionar as ligações havidas entre a Inglaterra e o Brasil no século XVI, com o movimento de expansão inglesa no Atlântico Sul.


O primeiro inglês a navegar nas costas brasileiras

O iniciador das viagens para o Brasil foi William Hawkins, negociante de Plymouth. De 1530 a 1532, realizou três visitas à costa do Brasil, tocando numa delas também a costa africana. Esses primeiros contatos abriram caminho para o estabelecimento de um comércio regular com o Brasil e com a África Ocidental, em especial com a Guiné, e indicaram o interesse das viagens combinadas para essas regiões.

Comerciantes de Plymouth, Southampton e Londres, que já mantinham relações com Portugal e Espanha, interessaram-se pela nova zona que se abria à sua atividade. Frequentando os portos portugueses, é bem possível que Hawkins e seus seguidores tivesse ali obtido informações sobre as possibilidades de comércio com a África e o Brasil e conseguido orientação para realizarem as viagens. Contudo, é possível também que tenham recebido informações necessárias nos portos franceses do Atlântico – Dieppe, Havre, Honfleur (ver mapas), por exemplo – cujos comerciantes e marinheiros frequentavam as costas do Brasil e com os quais os ingleses mantinham relações importantes. Existe, aliás , notícia de viagem feita ao Brasil em 1539-1541, por um navio no qual franceses e ingleses estavam interessados e associados, o que pode servir de apoio à ideia da existência de relações entre eles desde as primeiras viagens realizadas por ingleses. Também portugueses residentes nesses portos da França poderiam ter transmitido aos ingleses os conhecimentos necessários. Assim, as primeiras viagens inglesas ao Brasil teriam sido provocadas por essas informações de portugueses ou franceses e é bem provável que William Hawkins realizasse a sua viagem pioneira após ter notícias seguras sobre a navegação e as possibilidades de comércio nas terras que acabou visitando.

As três mencionadas viagens de Hawkins foram feitas no navio Paul of Plymouth, de 250 toneladas. No Brasil, evitando choques com os portugueses, Hawkins entrou em contato com os índios e com eles travou boa amizade, de tal modo que na sua segunda viagem um chefe indígena acompanhou-o à Inglaterra e lá foi apresentado à Corte. Os proveitos das primeiras visitas devem ter sido compensadores, porque William Hawkins realizou outras por sua conta: assim há notícias de expedições feitas mesmo antes de 1536 e em 1540. Neste ano, o navio Paul of Plymouth saiu da Inglaterra em 24 de fevereiro e voltou em 20 de outubro com um carregamento de presas de elefante e de pau-brasil, avaliado em £600, carregamento que sugere a estada da embarcação na Guiné e no Brasil. Outros comerciantes também se movimentaram. Há notícias de viagens, que Richard Hakluyt, no seu livro, Principals navigations…, denomina “cômodas e lucrativas”, efetuadas por volta de 1540, por Robert Reniger, Thomas Borey e outros negociantes de Southampton, e pelo navio Barbara, de Londres, de propriedade de J. Chaundler e outros, que esteve no norte do Brasil e voltou à Inglaterra pelas Índias Ocidentais. Sabe-se ainda que um certo Pudsey também de Southampton, cuja atividade é mencionada no livro de Kaluyt e confirmada por documentos da Corte do Almirantado inglês, fez uma viagem à Bahia de Todos os Santos, em 1542, e construiu um forte nas vizinhanças daquele lugar, para proteção do comércio inglês. Isso leva a supor a existência de um comércio ativo, que aliás é evidenciado pelos registros alfandegários ingleses da época, onde aparecem menções de pau-brasil e indicações de navios indo a Southampton com tal mercadoria.

Esse comércio, segundo se depreende das notícias conhecidas, atingiu as regiões do Nordeste, Pernambuco, sobretudo, assim como a Bahia, e além do pau-brasil, levaram, os navios, algodão e papagaios.

O comércio, que parece ter sido bastante ativo, entrou em decadência depois de 1542, pois a partir desse ano não há mais notícias de viagens ao Brasil. Para sua diminuição ou interrupção teria contribuído a guerra entre a França e a Inglaterra, de 1544 a 1546, que permitiu aos ingleses o apresamento de navios inimigos carregados dos mesmos produtos que tiravam da costa da África e do Brasil; teria influído também uma maior vigilância estabelecida pelos portugueses nas costas do Brasil e da África o que dificultava as transações.


A retomada do interesse pelo Brasil, sob Isabel I da Inglaterra

As viagens para a África recomeçaram alguns anos depois, sob um aspecto diferente, mas para o Brasil só conhecemos viagens feitas já no reinado de Isabel. É possível, contudo, que comerciantes ingleses interessados nesse novo ciclo de viagens para a África tenham estado, às vezes, no Brasil, por causa do interesse pelo pau-brasil e por causa da tradição já anteriormente adquirida, mas nada se pode afirmar seguramente.

É conhecido o grande desenvolvimento que ganhou a expansão marítima inglesa sob Isabel. Essa expansão fez-se em diversas direções, e o Atlântico Sul constituiu um dos campos importantes do movimento. E nessa etapa da expansão, voltou a aparecer um interesse pelo Brasil. Chama nossa atenção o grau importante que adquiriram então os ingleses sobre a costa brasileira: disso dão prova as relações de viagens e os roteiros de navegação publicados na época; assim como os documentos existentes nos arquivos ingleses. Nessas publicações e documentos, notamos a existência de dados pormenorizados sobre a navegação. As rotas que deviam ser seguidas , acidentes geográficos e condições físicas em geral, portos e ancoradouros com usas possibilidades de abastecimento, além de outros dados, indicam-se com precisão que releva um conhecimento bem seguro do litoral. Esse conhecimento permitiu então o desenvolvimento de relações mais vastas do que anteriormente.

Fato novo nesse período foi o aparecimento de um interesse inglês pelas regiões do sul do Brasil em especial pela Capitania de S. Vicente. Esse interesse aparece na tentativa de estabelecimento de um comércio com o porto de Santos e no uso de terras da capitania como escalas para os navios que cortavam o sul do Atlântico, especialmente na direção do Estreito de Magalhães. Sobre o comércio com Santos é bem conhecido o episódio do navio Minion de Londres, cujos armadores o enviaram depois de receberem indicações de um inglês residente na vila, John Withall. Esse inglês, que gozava de boa situação em Santos, escrevera a amigos seus em Londres, propondo o envio de uma embarcação carregada com mercadorias próprias para o comércio na região. Indicando a possibilidade de um lucro de três por um em cada mercadoria, oferecendo como produto de retorno o açúcar, boas possibilidades para os comerciantes, suficientes para justificar o emprego de capitais na aventura. Atendendo as sugestões de Withall, comerciantes de Londres armaram o navio Minion, que chegou a Santos em fevereiro de 1581, ali ficando até junho do mesmo ano e realizando o seu comércio pacificamente. Saindo de Santos, o navio seguiu para a Bahia, onde esteve algum tempo. O comércio feito pelo Minion ainda influiu na atitude de Eduardo Fenton com relação à cidade de Santos, em 1583, quando esteve nesse porto: consultando seus associados sobre a conveniência de forçar a entrada da vila para obter o abastecimento de que necessitava, foi alegado, contra a proposta, que um ato de força poderia destruir as possibilidades de comércio abertas por aquele navio de Londres.

Por sua posição também, o litoral da Capitania de São Vicente oferecia ótimos pontos de apoio para os navios que procuravam o sul. Dois portos da capitania eram procurados pelos ingleses para escala: São Sebastião e Santos. São Sebastião foi escala quase obrigatória; ali, navegantes pacíficos e piratas paravam para refrescar, pois, além de um bom porto, o lugar oferecia água e alimentos. Santos também mereceu atenção, sendo o ponto mais importante habitado na costa meridional.

Além deste comércio com São Vicente, desenvolveu-se também o comércio com o Nordeste e a Bahia, regiões mais ricas e que ofereciam maiores possibilidades de ganho do que São Vicente.

Duas viagens, das quais temos conhecimento, permitem-nos observações interessantes sobre esse comércio com as regiões nordestinas. Uma foi a viagem do navio Royal Merchant que, saindo de Londres, chegou a Olinda em janeiro de 1583, onde ficou durante seis meses. Na relação dessa viagem, lê-se que, não tendo encerrado seus negócios no momento de partir, os responsáveis pelo navio deixaram no Brasil três representantes para cuidarem dos seus interesses. Aconteceu, porém, que, passando por Olinda, o almirante espanhol Diogo Flores Valdez mandou prender os ingleses, e confiscou-lhes as mercadorias. Já no momento o Brasil passara com Portugal para o domínio da Coroa de Espanha e a ação de Valdez foi, segundo os ingleses, uma represália pelo combate travado entre navios espanhóis e ingleses no porto de Santos. A perda sofrida pelos comerciantes com a medida de Valdez foi de  ‎£4446.

Os ingleses presos foram levados para a Espanha e depois para Portugal, e só se viram soltos após muito empenho e gasto por parte dos seus patrões. Mas nã ficaram nisso as perdas dos comerciantes do Royal Merchant. Depois da volta do barco à Inglaterra e antes de conhecerem a ação de Valdez, tinham eles enviado novo carregamento ao Brasil, sob os cuidados de Francisco da Rocha, no navio São João de Viana; e essas mercadorias, no valor de  £ 1877, tinham sido também confiscadas, segundo se presumia. Esta indicação sugere-nos que os comerciantes ingleses, além de expedirem mercadorias em seus próprios navios, serviam-se de embarcações portuguesas para suas transações no Brasil. A outra viagem mencionada serve para confirmar o uso de navios portugueses pelos comerciantes ingleses talvez levados a isso pelas hostilidades existentes entre a Espanha e a Inglaterra, que lhes dificultava a entrada nos portos sob o domínio do rei espanhol. Em agosto-setembro de 1585, comerciantes de Southampton, um deles ligados já anteriormente à viagem do Royal Merchant, fretaram o navio São João Batista de Viana (possivelmente o mesmo navio referido acima como São João de Viana), que estava naquele porto inglês, para a realização de uma viagem a Pernambuco. O navio esteve no Brasil e levou um bom carregamento de açúcar e pau de tinta. Aconteceu, porém, que, sendo português, na sua viagem de retorno o navio foi aprisionado por piratas ingleses, o que dá ao caso um aspecto pitoresco. O apresamento deu depois lugar a um processo na Corte do Almirantado, com a pretensão dos negociantes de reaverem seus bens. e é graças a esse processo que podemos conhecer as peripécias da viagem. Essas relações dos comerciantes ingleses  com os donos de barcos portugueses são um aspeto interessante das relações entre Inglaterra e Brasil no campo do comércio no século XVI. Os ganhos permitidos pelo comércio com o Brasil, especialmente pelo comércio do açúcar, deviam ser bem compensadores, para explicarem esses acordos e os riscos de viagens no momento da séria crise nas relações entre a Inglaterra e a Espanha. Aliás, os acordos e o conhecimento da técnica de comércio parecem indicar relações comerciais bem estreitas entre a Inglaterra e o Brasil.


As tentativas de piratas e corsários ingleses em conseguir lucro no Brasil

Francis Drake

O desejo de participar das riquezas da América e de diminuir o poderio espanhol influiu nas atividades dos ingleses no Atlântico e deu expansão à ação dos piratas e corsários. Interessados primeiro pelas regiões do Mar das Antilhas e do Golfo do México e pelas rotas dos galeões, os piratas ingleses concentraram durante algum tempo suas atividades nesses setores. Mas uma região especial, o Mar do Sul (isto é, o Pacífico), exercia sobre eles, como aliás sobre todos os espíritos aventureiros da época, uma forte atração. Dominado pelos espanhóis que o mantinham fechado a estrangeiros, o Mar do Sul era famoso por suas riquezas e oferecia possibilidades de colonização e comércio. Em 1577, uma expedição inglesa foi organizada para penetrar no domínio espanhol tão zelosamente guardado. Dirigida pelo famoso Francis Drake, experiente homem do mar, conhecido já por suas proezas contra os espanhóis, a viagem que se tornou a segunda circunavegação do globo, foi coroada de êxito, e abriu para os ingleses os portos do Mar do Sul.

As riquezas levadas por Drake, apesar de todas as dificuldades sofridas na travessia, inflamaram as imaginações, e várias outras expedições foram organizadas para aquelas regiões. Dessas expedições, entretanto, somente uma teve êxito: a dirigida por Thomas Cavendish, de 1586 a 1588, e que foi a terceira viagem de circunavegação do globo. Nesse movimento de viagens na direção do Estreito de Magalhães, o Brasil foi atingido. Três dos navegantes que se dirigiam ao Mar do Sul, voltaram sua atenção para o Brasil: Fenton, em 1583, Withrington e Lister, em 1586, e Thomas Cavendish, na sua segunda viagem em 1591.

Eduardo Fenton saíra da Inglaterra em 1582, com a determinação de passar à Índia pelo sul da África. Entretanto, durante a travessia do Atlântico, optou pela rota do Estreito de Magalhães e tomou a direção da costa sudeste da América do Sul. Porém o sabendo da estação que não permitia mais a travessia feliz do estreito, a notícia da existência de reforços na região de Magalhães e a falta de provimentos, levaram-no a procurar a costa do Brasil, depois de ter chegado até a latitude de 33°. Rumou para Santos, onde pensava encontrar os víveres de que tinha necessidade, mas, apesar da sua atitude pacífica, foi recebido com desconfiança, e nada havia ainda conseguido, quando chegaram navios da esquadra espanhola de Diogo Flores Valdez, que lhe deram combate. Um dos barcos espanhóis foi afundado, mas Fenton teve de deixar o porto com algumas perdas. Voltou depois para a Inglaterra, tendo malogrado a expedição, com a perda de quase todo o capital investido na viagem, sem ter contudo praticado atos de pirataria durante toda a travessia.

Diferentes foram as ações de Withrington, Christopher Lister e Thomas Cavendish.

Robert Withrington e Christopher Lister foram os comandantes da expedição que, em 1586, foi organizada pelo Conde de Cumberland para se dirigir ao Mar do Sul. Como Fenton,  ele não conseguiu atingir o Estreito de Magalhães, não ultrapassando sequer a latitude de 44°. Tendo apresado dois pequenos navios no Rio da Prata, recebeu dos seus prisioneiros informações sobre a Bahia, que o decidiram a dirigir-se para aquela região, onde chegou em abril de 1587. Não conseguiu tomar a cidade de Salvador, mas assolou o Recôncavo durante dois meses, retirando-se para a Inglaterra, sem grandes ganhos, no começo de junho.

Em 1591, outra expedição partia da Inglaterra para o Mar o Sul, novamente sob o comando de Thomas Cavendish. Essa frota, alcançando o Brasil na altura do Cabo Frio, começou desde logo a praticar atos de pirataria, o que lhe dá um caráter diferente das duas expedições mencionadas acima. Atracaram na ilha de São Sebastião, de onde foram mandados contra Santos três navios da esquadra – o Roebuck, o Desire, e o Black Pinnace. Chegaram a Santos a 25 de dezembro de 1591 (dia 15, pelo calendário juliano, ainda em uso na Inglaterra), e surpreenderam os habitantes na igreja, não encontrando da parte deles nenhuma resistência. Em lugar de procurar obter um resgate dos habitantes e com ele os víveres de que tinham necessidade, os ingleses perderam tempo banqueteando-se e descansando, de modo que a população fugiu. Quando Cavendish apareceu alguns dias depois, encontrou o lugar sem gente e sem víveres. Os ingleses ficaram em Santos dois meses e depois tomaram o caminho do sul, levando tudo o que representava algum valor. Ao saírem, incendiaram alguns engenhos e a vila de São Vicente. Não tendo conseguido atingir o Estreito de Magalhães, Cavendish voltou para as costas do Brasil, mas suas tentativas de desembarque em Santos e no Espírito Santo malograram. Tomou então o rumo da Inglaterra, morrendo durante a viagem de regresso. Esses ataques de Cavendish foram os últimos sofridos por terras do Brasil de parte de expedições que buscavam o Mar do Sul.

Mas não foram os últimos que se deram. Ainda houve mais um ataque dirigido conta Recife pelo inglês James Lancaster, em 1595. A expedição de Lancaster, puramente pirática, tinha como finalidades atacar Pernambuco, e apresar navios mercantes espanhóis e portugueses durante a travessia do oceano. Saiu da Inglaterra com três navios, o Consent, de 240 toneladas, o Solon, de 170 e o Virgin, de 60, trazendo 275 homens. Partiu do Tâmisa em outubro de 1594. Depois de fazer algumas presas, chegaram os piratas à Ilha de Maio, no Arquipélago de Cabo Verde (ver mapa), onde logo em seguida aportou também o Cap. Venner, com dois navios, uma pinaça e mais uma presa espanhola. Aliaram-se Lancaster e Venner, devendo este receber um quarto de presa que fizessem. Partindo da ilha, chegaram a Recife em fins de março de 1595. Atacado o porto, foi ele tomado pelos ingleses. O povo abandonou a localidade, deixando nas mãos dos invasores tudo o que se achava no lugar, inclusive o carregamento de uma embarcação vinda da Índia. Foi tão grande o espólio que os navios de Lancaster e Venner não foram suficientes para carregá-lo. Entendeu-se então Lancaster com três embarcações holandesas que estavam no porto (barcos de 450, 350 e 300 toneladas) e fretou-as para o carregamento das mercadorias apresadas. Enquanto os ingleses estavam no porto, chegaram ali vários navios franceses, sendo um dos capitães, Jean Lenoi, de Dieppe, que no ano anterior prestara grande serviço a Lancaster. Para recompensá-lo, o inglês deu-lhe uma carga de pau-brasil para seus navios e mais uma caravela de 50 toneladas, também carregada com esse produto. E ainda cedeu aos outros capitães franceses parte dos despojos, em troca de ajuda que em Recife lhe prestaram. Negando-se a discutir com os portugueses, Lancaster ficou 31 dias em Recife, carregando seus navios. De Olinda, os portugueses fizeram várias tentativas de ataque aos estrangeiros, mas sem resultado. Pouco antes de partir, os homens de Lancaster enfrentaram forças lusitanas que se preparavam para atacá-los, mas não atendendo as instruções de seu chefe, muitos deles foram mortos na batalha. No mesmo dia desse desastre, saíram os ingleses do porto, e fizeram-se à vela para a Europa, que atingiram em julho de 1595. Lancaster levava 15 navios carregados, e todos, menos um, chegaram a salvo à Inglaterra ou à França, marcando um grande sucesso para a audaciosa empreitada.

Depois dessa expedição, cessaram os ataques de ingleses ao Brasil, assim como havia diminuído o seu comércio.

Em conclusão, podemos dizer que, no século XVI, o Brasil ocupou lugar importante nos interesses mercantis e marítimos ingleses, e disso são prova as atividades pacíficas dos comerciantes e as empresas rudes dos piratas. Na expansão pelo Atlântico Sul, os ingleses tiveram no Brasil um ponto de apoio e um alvo consideráveis.


Referências

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de Holanda, S. História Geral da Civilização Brasileira I. A Época Colonial 1. Do Descobrimento à Expansão Territorial. Traducao . 7. ed. São Paulo: DIFEL, 1985. p. 168-175

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Richard Hakluyt | British geographer. Disponível em: <https://global.britannica.com/biography/Richard-Hakluyt&gt;. Acesso em: 19 jul. 2016.

Sieges of Boulogne (1544–46). Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Sieges_of_Boulogne_(1544%E2%80%9346)&gt;. Acesso em: 19 jul. 2016.

The Principal Navigations, Voyages, Traffiques and Discoveries of the English Nation. Disponível em: <http://onlinebooks.library.upenn.edu/webbin/metabook?id=hakluyt&gt;. Acesso em: 19 jul. 2016.

Thomas Cavendish. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Cavendish&gt;. Acesso em: 19 jul. 2016.

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