Componentes da frota de Cabral e Dados do Descobrimento do Brasil

A Ilha do Brasil

Condensação de Carlos Coelho

A Ilha do Brasil, ou Ilha de São Brandão, ou ainda Brasil de São Brandão, era uma das inúmeras ilhas que povoavam a imaginação e a cartografia européias da Idade Média, desde o alvorecer do Século IX. Também chamada de “HyBrazil“, essa ilha mitológica “ressonante de sinos sobre o velho mar”, se “afastava” no horizonte sempre que osmarujos se aproximavam dela. Era, portanto, uma ilha “movediça”, o que explica o fato de sua localização variar tanto de mapa para mapa. Segundo a lenda, “Hy Brazil” teria sido descoberta e colonizada por São Brandão, um monge irlandês que partiu da Irlanda para o alto mar no ano de 565. Como São Brandão nascera em 460, ele teria 105 anos quando iniciou sua viagem.

O nome “Brazil” provém do celta bress, que deu origem ao verbo inglês “to bless” (abençoar). “Hy Brazil“, portanto, significa “Terra Abençoada”.

Desde 1351 até pelo menos 1721 o nome “Hy Brazil” podia ser visto em mapas e globos europeus, sempre indicando uma ilha localizada no Oceano Atlântico. Até 1624, expedições ainda eram enviadas à sua procura.

A frota de Cabral era composta por duas divisões com 10 naus e três caravelas:

1a Divisão:

Navios

Comandante

Tripulação

2 Caravelas latinas

1 Nau mercante

1 Navetademantimentos

Gaspar de Lemos

Nau Capitânia

Pedro Álvares Cabral

Nau Sota-Capitânia

Sancho de Tovar

2a Divisão: Destinava-se a Sofala (atual Moçambique)

1 Nau

Diogo Dias

150

1 Caravela latina

Bartolomeu Dias

80

Os navios se chamariam, segundo Francisco Varnhagem (1854), baseado em documento incompleto encontrado na Torre do Tombo:

Navios

Tipo

Comandante Tripulação
Santa Cruz Nau Ayres Gomes da Silva
Flor de La Mar Nau Simão de Pina
Vitória Nau Vasco de Atayde
Espera Nau Nicolau Coelho

150

São Pedro Caravela Pero de Atayde

50

Anunciada Caravela Nuno Leitão da Cunha

80

El Rei (Sota-Capitânia) Nau Sancho de Tovar

160

Não há registros confiáveis a respeito do nome da nau capitânia da frota e alguns historia-dores levantam a possibilidade de ter sido utilizada a nau São Gabriel, capitânia da esquadra de Vasco da Gama. É pouco provável que o navio utilizado tenha sido o mesmo, pois em razão de sua notoriedade este fato teria sido registrado por cronistas da época, e tais registros jamais foram encontrados. O que se sabe é que o navio deslocava aproximadamente 250 tonéis e levava 190 homens, assim distribuídos:

Cabral e sua guarda pessoal (7 besteiros); 80 marinheiros; 70 soldados; 33 passageiros (7 serviçais, 2 degredados, 8 frades franciscanos, 8 intérpretes e 8 futuros funcionários da feitoria de Calicute (atual Calcutá, Índia).

(Fonte: A Viagem do Descobrimento: A verdadeira história da expedição de Cabral, Eduardo Bueno, Ed. Objetiva, Rio de Janeiro, 1998, Coleção Terra Brasilis).

Outros dados sobre a Esquadra de Cabral: (Linha do Tempo de sua viagem)

A arqueação (deslocamento) dos navios variava de 50 a 100 toneladas e sua velocidade podia chegar a quatro nós (aproximadamente 8km/h).

Em 09 de março de 1500 deu-se a partida da frota.

Em 23 de março de 1500, antes do descobrimento, a caravela de Pero de Atayde desgarrou-se da frota, ao largo das Ilhas Canárias, não sendo mais vista.

Em 22 de abril de 1500 a Esquadra chega ao Brasil.

Em 02 de maio de 1500 Gaspar de Lemos retorna a Portugal com a notícia da descoberta e os demais navios seguem para as Índias.

Em 13 de maio de 1500 os navios de Ayres Gomes da Silva, Bartolomeu Dias, Simão de Pina e de Vasco de Atayde são destruídos por uma tempestade ao dobrar o Cabo da Boa Esperança. A nau de Diogo Dias afastou-se da esquadra durante a tempestade, passando a navegar próximo à costa leste da África, descobrindo a ilha de São Lourenço (Madagascar). O cabo da Boa Esperança fora descoberto por Bartolomeu Dias em 1487.

Em 13 de setembro de 1500 a Esquadra chega a Calicute, na Índia.

Em 16 de janeiro de 1501 é dada a partida de Calicute e seis navios remanescentes da grande Esquadra iniciam o retorno a Portugal. Foram os navios de Diogo Dias, Pedro Álvares Cabral, Nicolau Coelho, Pero de Escobar, Simão de Miranda e de Nuno Leitão da Cunha.

Piloto da frota: Afonso Lopes

Cirurgião: Físico Mestre João

Escrivão: Pero Vaz de Caminha

Capelão: Frei Henrique Soares

Tripulação: Aproximadamente 1.200 homens entre mercadores, pilotos, oficiais maiores, carpinteiros, tanoeiros, ferreiros, soldados e técnicos em navegação.

Dados encontrados no “Livro das Armadas”

Notas:

O terremoto em Lisboa, seguido de incêndio, ocorreu no dia primeiro de novembro de 1755 (Século XVIII) (Lello Universal). Daí também a dificuldade em não se saber exatamente muitos dados, inclusive os nomes de alguns navios da Esquadra de Cabral.

Ainda por esclarecimentos de Carlos José Hesseine Coelho, a reconstrução de Lisboa, após o terrível terremoto, foi iniciada pelo Marques de Pombal, com o dinheiro do ouro do Brasil.


Fonte:

BECKER (Rio Grande do Sul, Porto Alegre). 1º ano do Colégio Militar de Porto Alegre, da turma 101. Componentes da frota de Cabral e Dados do Descobrimento do Brasil. 2008. Disponível em: http://cmpa-101-ti.blogspot.com.br/2008/07/componentes-da-frota-de-cabral.html. Acesso em: 28/01/2016
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