Resenha do filme Getúlio

O filme intitulado simplesmente de Getúlio nos remete a forte referência que o seu nome tem na história do Brasil. Assim como simplesmente Pedro II nos lembra do grande imperador que já tivemos, Getúlio foi o grande ditador, sob a ovação de “pai dos pobres”. Suas qualidades e defeitos ficam na relatividade dos pontos de vista das mais diversas pessoas, sendo elas historiadoras, juristas, sociólogas, etc.

O filme nos imerge no contexto sinistro de um Brasil dos anos 50, em que dois homens hão de tirar a vida de um opositor por questões políticas, em um Brasil redemocratizado. É na Rua Tonelero, no Rio de Janeiro que o governo de Getúlio Vargas sofrerá o golpe fatal, através de comparsas contratados por subordinados seus, sem o seu conhecimento. Dos poucos segundos da ação, que ceifa a vida do major da Aeronáutica, Rubens Florentino, ao invés do contendor jornalista Carlos Lacerda, é que se exporá o governo sujo do homem que era considerado por muitos, “amado pelo povo”.

No Palácio do Catete, na antiga capital Rio de Janeiro, é de onde saem as ordens e é onde se concentra a tensão política. Reuniões com ministros que não levam a nada, relações familiares desgastadas, almoços e jantares amargurados, tudo sob enormes quadros que levam a história do Brasil, desde sua independência. O mesmo homem que havia acabado com a República Velha, agora jazia tenso e amargurado sob pinturas de Marechal Deodoro da Fonseca, que ao contrário de Getúlio, havia renunciado ao cargo de presidente. O Catete havia se tornado o centro de um furacão.

Carlos Lacerda, antes do atentado era um ferrenho opositor político, tratando Getúlio como um criminoso, pondo em xeque sua moral mesmo tendo sido eleito democraticamente. Após o atentado, sua obstinação se tornou mais forte, agora que a prova do jogo sujo do governo estava bem na ponta de seus pés, na biqueira de seu sapato. Não usando de pólvora, mas acertando um tiro em cheio nas costas do governo Getúlio, Lacerda pressiona a mídia e os ministros para que o presidente renuncie e o vice, Café Filho, assuma. Nos momentos iniciais de sua briga pela renúncia do presidente, não nos parece algo possível de acontecer, mas não abrindo mão de sua favorável posição de vítima, a corrosão governista fica bem evidente, afetando pessoalmente o presidente e sua família.

O buraco de bala nos pés de Lacerda não é nada comparado ao rombo em que o mesmo abriu na moral dos subordinados ao governo. Acusações de políticos corruptos, envolvidos no mando de assassinato, um verdadeiro bueiro aberto. A mídia expõe todos os fatos, sendo ela a transmissão do ringue público da política. Diante de tantas armas verbais, tiros discursivos para todo lado, um verdadeiro bang-bang, nos vêm a aura da morte, do sangue, da vida de um homem histórico.

Getúlio Vargas comete suicídio, uma decisão já premeditada. O homem forte que dirigiu o Brasil por 8 anos como ditador e 3 anos como presidente eleito sai da vida para entrar na História. Sábias palavras que se concretizaram. A política deturpa os homens, e corrói suas ações, e o fim trágico de Getúlio é marcante por esta característica.

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