A breve pré-história da Britânia

Britânia sempre foi uma ilha?

Britânia nem sempre foi uma ilha. Tornou-se uma apenas depois do fim da última era do gelo, quando a temperatura aumentou e a calota de gelo derreteu, inundando toda a área terrena de baixa altitude, que forma hoje o Mar do Norte e o Canal Inglês. A Era do Gelo não era apenas um longo período igualmente contínuo. Havia tempos mais quentes quando a calota de gelo recuava ao extremo sul, onde mais ou menos está o Rio Tâmisa.

Humanos em tempos remotos na Britânia:

Nossa primeira evidência de vida humana são algumas ferramentas de pedra, datadas dos períodos mais quentes, em 250,000 a.C. Esses simples objetos nos mostram que havia dois tipos de habitantes:

  • Os primeiros grupos que faziam suas ferramentas com flocos de sílex, similares aos tipos de ferramentas encontradas nas planícies do norte europeu, distantes como a Rússia.
  • O outro grupo fazia ferramentas com o âmago do sílex, provavelmente o método mais remoto de se fazer ferramentas, que havia sido trazido da África pra Europa. Machados de mão feitos dessa forma haviam sido encontrados em larga escala, ao norte de Yorkshire e ao oeste de Wales.

    Pedaço de um machado de mão feito com sílica.
    Pedaço de um machado de mão feito com sílex.

Contudo, o gelo avançou novamente e a Britânia se tornou dificilmente habitável até outro período mais ameno, o que provavelmente aconteceu em 50.000 a.C. Durante esse tempo um novo tipo de humano parece ter chegado, que é o ancestral do moderno britânico, mas provavelmente era menor, e tinha uma expectativa de vida de apenas 30 anos. Acerca de 10.000 a.C, de forma que a Era do Gelo chegasse ao seu fim, britânia era habitada por pequenos grupos de caçadores, coletores e pescadores. Poucos tinham habitações, e eles pareciam ter seguido rebanhos de veados dos quais proviam o alimento e a vestimenta. Em 5000 a.C. Britânia finalmente havia se tornado uma ilha, e se tornou densamente florestada. Para os caçadores isso foi um desastre, pois muitos dos animais dos quais eles sobreviviam desapareceram.

Humanos do Neolítico:

Copy of stonehenge.jpg

Em 3000 a.C. humanos do Neolítico cruzaram o estreito mar vindos da Europa em barcos redondos (round boats) de madeira curvada e forrados com pele animal. Cada um poderia levar de uma a duas pessoas. Essas pessoas mantiveram animais e desenvolveram culturas de milho e sabiam fazer cerâmica. Estes povos vieram através da península Ibérica ou através da costa Norte Africana. Eles eram pequenos, escuros, cabeça grande, e talvez sejam os antepassados dos habitantes de cabelo escuro do país de Gales e Cornualha. Eles se estabeleceram nas partes ocidentais da Britânia, Irlanda, a partir da Cornualha no sudoeste até se espalhar por todo o extremo norte. Estas foram, das muitas, ondas de invasores antes da primeira chegada dos romanos em 55 a.C. Estas diversas invasões marcavam novos estágios de desenvolvimento na Britânia. Porém os padrões de mudança se davam pelos resultados de forças sociais e econômicas locais.

Trabalhos em grupo: os “barrows”

2009_07240056 Os grandes trabalhos em grupo, das épocas remotas dos habitantes da ilha britânica eram os chamados “barrows(Um grande monte de terra ou pedras colocadas sobre um local de enterro coletivo.) ou montículo de enterro (um monte de terra em local de enterro, entendeu?), feitos de terra ou de pedra. Muitos desses “barrows” são encontrados em planaltos no sul da Britânia. Esses “barrows” hoje em dia têm o solo pobre e poucas árvores, mas eles não eram assim, antigamente. Eles possuiam uma arejada floresta, que poderia ser usada para a lavoura, e como resultado disso eram as partes mais facilmente habitadas da zona rural.

A decadência dos “barrows:

Estas áreas se tornaram inadequadas para a lavoura a partir de 1400 a.C. quando o clima ficou mais seco e o resultado foi que essas terras não podiam suportar mais pessoas. É difícil de imaginar estas áreas super populadas, mas mesmo assim os monumentos permanecem “vivos”.

Modernizando as moradias:

Após 3000 a.C, os povos que residiam nas “chalklands(terras de giz, uma rocha sedimentar porosa, uma espécie de calcário branco) começaram a construir grandes bancos circulares de terra com fossos. Dentro, eles construíam habitações de madeira e círculos de pedras. Esses círculos de pedras eram chamados “henges“, que serviam de centros religiosos, políticos e econômicos. E um dos mais espetaculares é o que conhecemos chamado “Stonehenge“. Os precisos propósitos de sua existência ainda continuam um mistério.

Stonehenge:

Certamente era um tipo de capital, em que os chefes de outros grupos vinham de toda a Britânia. Em muitas partes da Britânia eram construídas cópias da Stonehenge principal, que se encontrava ao sul. Na Irlanda, o centro da civilização pré-histórica cresceu em torno do Rio Boyne, mas sua importância não conseguiu superar os construtores do monumento.

Chegam novos humanos à ilha:

Depois de 2400 a.C. novos grupos de pessoas da Europa chegam a Sudeste da Britânia. Eles têm a cabeça redonda e corpo musculoso, são mais altos que os britânicos neolíticos. Duas versões diferentes dizem que eles invadiram pela força das armas, ou que foram convidados pelos britânicos Neolíticos por causa das suas habilidades militares e metalúrgicas. Sua chegada é marcada pelas sepulturas individuais, decoradas com copos de cerâmica (pottery beakers), daí o nome desse povo ser: The “Beaker” people.

Importância das sepulturas comunais e sua decadência:

Os “barrows” eram construídos, em parte, para agradar aos deuses do solo, na esperança de que os planaltos de giz parassem de ficar pobres. Os povos Beaker trouxeram com eles da Europa um novo tipo de cereal, cevada, que crescia em quase todos os lugares. Talvez a partir disso eles não sentiram mais a necessidade de agradar aos deuses do solo. Screenshot_1

Língua dos povos Beaker e sua influência na Britânia:

Provavelmente falavam indo-europeu. Eles trouxeram habilidades de fazer ferramentas de bronze e a partir disso as ferramentas de pedra foram substituídas. Apesar desse avanço, eles acolheram a cultura religiosa em volta do Stonehenge, que permaneceu um importante centro até 1300 a.C.

Stonehenge perde sua importância:

De 1300 a.C. pra frente, a civilização “henge” se torna menos importa e é ultrapassada por uma nova forma no sul da Inglaterra, que eram a classe dos agricultores.

A sociedade dos agricultores:

Estes agricultores se desenvolveram no decorrer do que ganhavam alimentando as pessoas nos “henges”, e consequentemente foram se tornando mais poderosos na medida em que sua produção crescia. Eles ficaram ricos porque eles aprenderam a enriquecer o solo com resíduos naturais, que com isso o solo não empobrecia e nem se tornava inútil. Vilas familiares e recintos fortificados foram aparecendo na paisagem, enquanto as sociedades que viviam nos planaltos de giz e o velho poder central do Stonehenge decaíam. A partir daí o poder parecia deslocar-se para os arredores do Rio Tâmisa e ao sudoeste britânico. Colinas fortificadas substituíram os “henges”. Uma das razões para que o poder tenha sido deslocado para o leste, é o número de espadas que foram achadas no vale do Tâmisa, sugerindo que ali havia uma sociedade mais avançada em termos de metalurgia.

Espadas jogadas no rio e Rei Arthur:

Muitas dessas espadas foram achadas jogadas no rio por causas religiosas. Este costume pode ter originado a estória da legendária espada do Rei Arthur, que tinha recebido a espada advinda da água e que foi jogada na água quando ele morreu.


Traduzido por Lukazlaw. An Illustrated History of Britain 

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